O sol entrava naquela casa como se dele fosse, proprietário daquele recanto. Um copo com pinceis dentro, fazia crer que a imaginação e criatividade alí moravam. O meu amor a ver-me a mim, imaginado a pintar ao pôr-do-sol, num dia de Inverno, abrigado pela frágeis janelas brancas com vidros tão finos que gelo pareciam.
Como eu te amo!

Um homem com grandes barbas, camisola de lã grossa olhava o mar em direcção à musa inspiradora. Uma caneca de chocolate quente aquecia o espírito do homem, arrefecido pelo Outono antecipado, por um frio teimoso que nunca soltou o mar.
A tela estava ainda em branco, quando tentei focar as luzes de Lisboa, que lentamente cresciam com o fim do dia, o brilho do sol tinha cegado por momento os meus olhos e só o teu cheiro eu sentia em meu redor; Invejei aquele homem, que seguro estava naquela casa. Quando o sol por fim desapareceu por completo e os meus olhos finalmente conseguiram ver, corri em direcção à janela, quiz saber o que mais estava lá dentro, seguro, quente.
O homem não estava lá, os pinceis imóveis, a caneca vazia, sem fumo de calor. A tela outrora branca agora tinha nós dois pintados a olhar o fim do mar, tão longe como o pôr-do-sol desenhado no fim do horizonte.
Este é só para tí...







